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First Prince
Queria trazer-te uma carta bonita e repleta de metáforas bem construídas. Contar-te o quanto teu bem estar me acalma e tua voz arrepia até o mais íntimo de mim. Confessar que sequer cogito a possibilidade de sentir algo mais nobre e terno do que o que estou a sentir; o quanto gostaria de encher-te de beijos, afagar-te os cabelos e decorar cada parte de teu corpo; dizer sem delongas que teu sorriso é imensamente mais bonito que o silêncio de sua tristeza e que por amar-te assim, dói-me teu pranto; depois pedir-te para que fiques bem e, bem mansinho, sussurrar que estes olhos verdes me hipnotizam, que encanto maior não existe e o quanto te desejo. […]
E depois de tempos ele estava lá. E foi lindo o encontro de olhares. A verdade é que a moça, por mais que não quisesse demonstrar estava perdida nos olhares dele. Aquela moça já tinha sofrido tanto, que preferiu desviar o olhar, com cara de quem não acreditara que ele estava ali diante dela. Ela andava tão sozinha, tão solitária, só acompanhada de saudades e lembranças, que era quase impossível acreditar, de tão acostumada que já estava. Dai foi quando ela sentiu seu toque, e teve a estranha sensação de ter mais de 300 borboletas, fazendo cócegas em seu estômago. E por uma segunda vez ela se entregou nos olhos dele. E qual foi a surpresa que teve ao notar que estava sendo correspondida. Bem que tentou conter o riso meio tímido e curto. Sem que desse alguma palavra, num silêncio de minutos, percebeu todas as janelas da alma se abrindo e uma brisa fresca e perfumada entrando em seu peito, levando embora toda poeira e mofo de uma amarga ilusão. Foi quando tomou conta de que nenhum rapaz tinha sido capaz, de deixa-lá daquela forma. Sem medo de ser feliz. O que antes era cinza, frio e triste canção se transformou em uma página virada de um livro velho e empoeirado que ninguém lê. E sorriu, o sorriso mais doce que já havia dado, o mais verdadeiro. Naquele momento aquela moça sabia que tinha encontrado, o amor da sua vida.
Onde é que você gostaria de estar agora, nesse exato momento? E então? Somando os prós e os contras, as boas e más opções, onde, afinal, é o melhor lugar do mundo? Meu palpite: Dentro de um abraço.

Carta achada em meio as páginas de um livro encontrado num apartamento bagunçado. Páginas manchadas de sangue, e encontradas em cima do peito de um corpo suicida, com os pulsos cortados e um meio sorriso.

Ando bem nostálgico. Larguei o emprego a poucos dias. Penso em viajar, recomeçar tudo sem você. Talvez consiga, ser denovo, enfim feliz. Me distanciei das pessoas, ando bastante solitário. Não faço barba, sempre mancho a camisa de café. Voltei a fumar também. As vezes bebo, nesses domingos monótonos, deito no chão e me sufoco de tédio, nostalgias, saudades e porres. Não sei se consigo continuar. Tá bem díficil. A propósito, eu morri ontem. Por dentro. Apodreci, congelei, sequei de vez. Como de costume, fui aquele lugar que tomávamos café. Quer dizer, onde eu comprava o café pra te levar na cama e te acordar aos beijos. Passei em frente a uma loja de televisivos também, por incrível que pareça, nosso filme estava passando em todas as telas. Ignorei, doía. Passei a frente da livraria, e vi aquele seu livro. O favorito, até. Aquele que você tentava me convencer a ler quando nos conhecemos e ficava me contando a história. Comprei ele. Não sei, talvez me fizesse mais próximo de você mesmo depois de tudo que aconteceu. Vi casais apaixonados, e sentia inveja. Lembrava de como éramos. Vi crianças e lembrei dos nomes que tentávamos escolher antes de dormir. Via idosos e lembrava dos nossos para sempres…Do tempo que ficaríamos juntos. Tudo me lembrava você. Passei em frente aquela praça também, cujo banco fica no topo e dá pra ver toda a cidade. Aquela que você sempre me pedia meia hora que já ia chegar e demorava algumas horas se arrumando pra tentar me surpreender. Mal sabia que ficava linda de qualquer forma pra mim. O dia queria me dizer alguma coisa. Tinha perdido a noção de tempo, desde que aquilo aconteceu. Não estou dentro de mim, alias. Cheguei, e olhei o calendário. Dia 27 de julho. Naquele dia, completavam-se cinco anos após sua morte. Ontem, alias. Eu…Encarei o calendário e não quis acreditar. Pela primeira vez, cai em mim que tinha te perdido. Mesmo nos amando. Não gosto dessa ideia. Faziam cinco anos, e eu ainda te amava. Você ainda era tudo pra mim. Eu disse que seria pra sempre, não é? Pois então. Te encontro em meia hora?

(Source: penandink)

(Source: roboti-c, via puraincerteza)